Obeso e saudável: será?

Já vi essa cena acontecer milhares de vezes: a criatura o paciente com obesidade vai – forçadamente – realizar exames médicos.

Ao ter como resultado um “está tudo bem com você” a família – geralmente esposa – nunca mais consegue incentivar essa pessoa – geralmente homem que não está afim MESMO de se cuidar – a melhorar seus hábitos de vida.

É ou não é?

– Eu sou saudável! O doutor acabou de dizer! 😀

Aff como mulher sofre! 😛

Mas e aí? Será que dá pra ser gordinho E saudável? Ou essa combinação é uma utopia?

obesidade

Sinto lhes desapontar… mas é uma utopia!

Mesmo que – ainda – não apareçam alterações nos exames de sangue tradicionais acredite, elas já estão ocorrendo!

É que o tecido gorduroso, ao contrário do que se pensava há alguns anos, não é simplesmente um depósito inerte de energia e isolante térmico.
Hoje ele é reconhecido como um tecido metabolicamente ativo.

O tecido adiposo – quando em excesso – leva a um estado de inflamação crônica de baixa intensidade. Essa inflamação está associada a hipóxia (falta de oxigênio) que o tecido adiposo sofre quando em expansão.

E por sua vez, essa inflamação afeta o metabolismo como um todo, aumentando a probabilidade de em breve se desenvolver resistência insulínica, diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemia, aterosclerose e outras doenças cardiovasculares; além de… promover obesidade.

Ou seja: ser obeso te deixa inflamado e ser inflamado te deixa obeso!

Quando a maior parte dessa gordura é visceral (localizada entre os órgãos – característico de pessoas com abdome grande e endurecido) o risco é ainda maior.
Esse tipo de gordura comprime os órgãos e facilita sintomas de má digestão como azia e refluxo, além de gerar ainda mais inflamação que a gordura subcutânea (aquela mais “molinha”) e está ainda associada a menor produção de hormônios responsáveis pela saciedade.

Então é guerra a toda e qualquer gordura corporal?

Na verdade uma porcentagem de gordura muito baixa não é interessante.
Um pouco de gordura corporal se faz necessária para servir de estoque energético em períodos de jejum prolongado.
Níveis muito baixos em mulheres estão associados ainda a redução de estrogênio, levando a amenorreia (redução ou ausência de menstruação) e redução da fertilidade, mas esse processo geralmente é reversível.

Resumindo: está acima do peso e quer SAÚDE de verdade?
PRECISA reduzir cordura corporal e circunferência abdominal! 😉
Procure um nutricionista para que esse processo seja o menos sofrido e mais resolutivo possível!

Leite de vaca: sim ou não?

Tema polêmico à vista!

leite

Antigamente o consumo de leite era sempre estimulado e considerado sinônimo de alimentação saudável. Já hoje as opiniões são bastante controversas. Vamos entender os dois lados?

Muitos estudos têm encontrado relação entre o consumo de leite de vaca e alergias tardias. Tal reação pode estar associada à dificuldade de digestão da lactose (açúcar do leite) ou das proteínas do leite e derivados como um todo. E essa dificuldade de digestão tem se tornado cada vez mais comum entre a nossa população, especialmente com o avançar de idade.

Quem não faz uma boa digestão dessas proteínas tem como consequência inflamação na mucosa intestinal, com alterações em sua permeabilidade, facilitando desta forma a passagem de macromoléculas e metais tóxicos, além de favorecer a má absorção de nutrientes.

Quando essas macro moléculas passam pelo intestino e vão para a corrente sanguínea, nosso sistema imunológico é ativado, por reconhecer essas moléculas como corpos estranhos: é onde começam a surgir inflamações em várias partes do organismo, dependendo da pré -disposição genética de cada um.

Dentre as consequências mais comuns temos:
– Sinusite
– Rinite
– Amidalite
– Obesidade
– Gastrite
– Resistência a insulina
– Disbiose intestinal
– Acne
– Dores articulares
– Doenças autoimunes como: artrite reumatóide, tireoidite, etc.

Isso significa que não devemos mais tomar leite?

Não necessariamente!
Em primeiro lugar, apesar de bastante comum, não são todas as pessoas que tem dificuldade em digerir o leite e seus derivados. Se a digestão é perfeita, consequentemente não serão geradas as reações imunológicas e seu consumo não será problema. Individualidade sempre!!

Para a maioria das pessoas o que funciona bem é a variedade alimentar!
Se consumimos leite moderadamente e ingerimentos também frutas, verduras, fibras alimentares, etc nosso intestino será saudável e consequentemente a tendência é que façamos uma digestão melhor do leite e de seus derivados.
Já quando somos estressados e temos uma má alimentação é comum haver disbiose intestinal e consequentemente uma pior digestão não só do leite, mas fontes de proteína como um todo.

Qual a recomendação diária de leite e derivados para quem pode consumí-los?

Em 2013 a Harvard reduziu a sua recomendação de consumo de leite diário para 1 a 2 porções por dia! Essa recomendação de redução foi justificada pela relação entre consumo excessivo de leite e câncer de ovário e próstata.
1 porção significa por exemplo um copo (200ml) de leite ou 2 fatias de queijo branco.

Mas há casos em que a exclusão do leite (definitivamente ou temporariamente) se faz necessária e não é o fim do mundo! Existem hoje muitas opções que suprem bem a falta do leite!

Quando ao cálcio, hoje sabemos que o leite é sim uma ótima fonte de cálcio, porém a sua absorção pelo nosso corpo não é tão boa assim, se limitando a cerca de 35% do seu teor total!
Já os vegetais verdes escuros como brócolis, espinafre e couve tem uma absorção em torno de 60%. Fora que vegetais são fontes de fibras, que quando fermentadas, acidificam o pH intestinal, aumentando a absorção do cálcio do próprio vegetal.
Outros exemplos de fontes excelentes de cálcio são a sardinha e o gergelim.

E para substituir os tradicionais café com leite, iogurte, vitamina de frutas, etc.?

Boas opções para substituir o leite e o iogurte comuns são os leites extraídos a partir de vegetais, como leite de coco, de aveia, de amêndoas, etc.
Opções feitas a partir do leite de ovelha, cabra ou búfala podem ser bem aceitas por algumas pessoas.

As opções sem lactose que encontramos facilmente em supermercados não é bem aceita por todos. Isso porque se trata do leite de vaca adicionado da enzima lactase. Dessa forma, se o seu problema em digerir o leite é por má digestão de suas proteínas, o acréscimo de lactase não vai ajudar muito.

Dentre os queijos uma opção super interessante é o tofu, o “queijo” de soja que já comentei por aqui.

Dúvidas? Converse com seu nutri! 😉